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É uma conversa banal, infelizmente. A vida corre mal. Mas já corre mal há muito tempo, por isso, a conversa sobre o assunto é frequente. O seu início é quase tão previsível como o seu final, que se resume numa expressão cujo tom se divide entre o de desabafo e o de gracejo, não sem uma ponta de esperança: “- ‘Tá fodido”. O “Tá fodido” é aquilo que o relatório da SEDES intitula de “mal-estar(?) na sociedade portuguesa”. Tentámos, eu e o Mendes, recorrer à sabedoria popular onde a teoria do contra-provérbio dele se veio a revelar certeira, pelo menos naqueles que nos lembrámos que assim seria, e, quais irredutíveis, acordamos que de facto assim era. Eis como eu vos estou a tentar convencer que, para cada provérbio existe outro que o contradiz. – Por exemplo – diz o Mendes – A esperança é a última a morrer. – Eu: YA – Ele de imediato remata: – Quem vive de esperança passa fome. Não me deixei ficar atrás e ripostei: – Quem espera desespera. –  a seguir, o contra-provérbio: – Quem espera sempre alcança.

  Não pude deixar de me rir…. Afinal, ao contrário do que eu pensava, a sabedoria popular não é lá grande apoio prático para quem vive na zona mais pobre da União Europeia a 27(!!!), a zona Norte de Portugal. Não admira que o povo tenha começado a fazer piada disto! É rir para não chorar. É por estas e por outras que o Pintinho (Jorge Nuno Pinto da Costa) se destaca. O problema é que de tanta piada feita acho que nos habituamos a elas, e aquele que era um povo orgulhoso e crítico é que se tornou uma piada. É por isso que “’tá fodido”.
 Pronto, está bem, não é só por isso… É também porque vivemos num país que prevê constitucionalmente a regionalização, mas que é centralizado, nomeadamente, no que diz respeito ao poder decisório, que gere os fundos provenientes da UE, assim como a atribuição de dinheiros públicos, quer a nível de investimento, quer de subsídios (é que isto compra votos e estes recolhem-se mais nas zonas mais populosas). Não é teoria da conspiração, mas são muitos os exemplos de investimentos megalómanos e absurdos, tendo em conta as necessidades do País. Muitos dos estádios do Euro 2004 são completamente desnecessários, o que ilustra a ideia anterior. Todavia, o problema é de uma profundidade avassaladora, afectando o desenvolvimento regional planeado e, consequentemente, o nacional, e exige muita pesquisa e tratamento de dados, para que eu possa ser rigoroso.

  O que interessa destacar da congregação destas ideias incompletas é que a sabedoria popular não nos ajuda a resolver a crise nacional, agravada pela internacional, e, para percebermos porquê, basta colocar a palavra ignorância a substituir a sabedoria na expressão, porque a grande maioria da população nortenha desconhece a estatística que sente na pele. Se o povo não sabe, não opina. Se não opina, nada muda. E quem se revolta, ou faz humor ou fica tolinho.

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