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Liberto a mente. Deixo-a divagar pelos labirínticos caminhos das palavras. Aviso desde já os possíveis leitores que desconheço o final da viagem, por isso, aos mais curiosos, aqueles que gostam de ler as últimas páginas de um livro ao invés de começarem pelas primeiras: desiludam-se. É uma escrita tão livre quanto frustrada. É Sábado à tarde, gostaria de estar noutro lado que não em casa, mas a verdade é que dou por mim sentado na minha confortável cadeira, em frente ao estupidamente enorme ecrã do PC, que um amigo me emprestou. Não estou mal, mas queria estar melhor! Centro do Porto, um qualquer dia de Novembro, 17h25!

Já fui cheirar a rua, saber como anda o povo. Claro que já o vinha fazendo no caminho da Estação de S. Bento para casa, mas Sexta-feira recusei-me a sair e Sábado não parece estar a seguir outro rumo. Inícios duma depressão ou recaída numa mesma? Prefiro não pensar no assunto, estou só a descansar. Como diria um lema criado entre amigos: “Deixa que a ocasião se proporcione.” Não se proporcionou nada. Fui tomar um café, saber as novidades…está tudo parecido, nunca igual… Pouca gente a passar, na sua maioria cabisbaixa, poucos sorrisos, que a vida não está para graças, muitos olhos ávidos à procura, cada par, de uma fuga, ainda que breve, da monotonia. Tentei escrever umas linhas no café, perante este cenário que se me apresentava, mas aí tudo continuava igual, o Marques, um cota africano, de cabeça rapada, magro, olhos grandes, sempre a rir com a placa postiça nova, que usa uma boina que vai mudando da posição mais usual, a de velhote, para a posição mais radical, de Che Guevara, consoante a situação (a mulher que passa na rua), não me deixava concentrar por um minuto com as suas hilariantes interrupções, seguidas de um: “- Escreve, Sr. Encarregado, escreve!”. A sorte foi que se esqueceu dos óculos de sol que usa sob quaisquer condições meteorológicas, que me fizeram pôr-lhe a alcunha de Stevie Wonder. Decidi voltar para casa, submeter o teclado ao castigo dos meus dedos. Mal eu sabia que quem eu acusei de ser a fonte da minha desinspiração ia ser tema deste texto avulso. Parafraseando Fernando Pessa, “e esta, hein?”.

 

 

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4 Comments

  1. continua é esse o caminho
    vai nao pares

  2. um dos melhores pensadores da invicta, meu mano Sergio, so deus sabe como essa caminha da estação de volta a terra santa

  3. *é esse caminho

  4. Olá, meu querido. Que bem que continuas a escrever. Que talento perdido para as nossas leis tão tristonhas e injustas. Beijos grandes


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